sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Crise Econômica e a Política de Parcelamento de Salários nos Estados e Municípios


CRISE ECONÔMICA E A POLÍTICA DE PARCELAMENTO DE SALÁRIOS NOS ESTADOS E MUNICÍPIOS

A crise política que assola o Brasil esta fazendo com que vários estados e municípios atrasem os salários do funcionalismo público. Infelizmente esta é a realidade de muitas cidades brasileiras.

Mas será que o atraso de salários é uma necessidade real ou apenas uma estratégica político-econômica visando preparar os trabalhadores para mudanças ainda mais nefastas?

Como exemplo, cito a cidade de Cachoeirinha.

Cachoeirinha é uma cidade do Rio Grande do Sul localizada na região metropolitana de Porto Alegre.

Entre os 497 cidades gaúchas, o município é o 12º maior PIB do estado, sendo o 6ª em arrecadação de impostos. Só de ICMS a cidade arrecadou 90,217 milhões em 2015. Dados que demonstram que a cidade é uma das mais ricas do estado gaúcho.

Por outro lado, a cidade é a 16ª em habitantes, população que esta distribuída em apenas 43.766 km², número que faz com que seja o 7º menor município em extensão no estado.  

Para os padrões do Rio Grande do Sul, Cachoeirinha é uma cidade muito pequena do ponto de vista geográfico, mas gigante do ponto de vista econômico.

Mesmo assim, o prefeito da cidade, sr. Vicente Pires do PSB, está atrasando o salários dos funcionários da cidade. Alegação: falta de recursos.

Bom, vamos a outros dados.

Cachoeirinha possui apenas 22 escolas de ensino fundamental, número muito abaixo da maioria das cidades gaúchas. O município, assim como todos os outros que fazem parte da união, recebe verba complementar federal originária do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Segundo o site da Confederação Nacional dos Municípios (disponível em: http://www.cnm.org.br/portal/images/stories/08012016_Valores_Fundeb_2016_RS.pdf) o valor destinado à educação no município é de 46.702.588,50 (entre impostos e complementação). Valores que são destinados exclusivamente para a área da educação.

E o prefeito Vicente Pires alega não ter dinheiro para pagar o salário dos professores.

Não precisa ser um contabilista ou economista para perceber que a conta não esta fechando.

Por isso, os cidadãos cachoeirinhenses e os municipários da cidade estão convocando o prefeito Vicente Pires a prestar contas do que está ocorrendo com os recursos do município.

Entretanto, até agora a resposta do prefeito tem sido o silêncio. Sequer recebendo os municipários em seu gabinete, na verdade, proibiu a entrada dos representantes do sindicato de ingressarem nas dependências da prefeitura.

Infelizmente esta não é uma realidade exclusiva da cidade de Cachoeirinha. Já que centenas de municípios brasileiros adotaram a mesma postura. Mas o que nenhum político que pratica tal procedimento covarde faz é justificar para onde os recursos estão sendo desviados.

Enquanto isso, o “presidente” Michel Temer já apresenta propostas de mudança nas leis trabalhistas onde o aumento da carga horária para 12 horas diárias é a primeira medida. Isso que a reforma previdenciária ainda nem começou.

Até quando aguentaremos políticos covardes e corruptos no comando de nossa nação? Ou alguém realmente acredita que a retirada de Dilma Rousseff da presidência era para conter a corrupção? 

J.Mercúrio
Professor da Rede Municipal de Cachoeirinha. Na luta pra receber o salário.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Rede Globo e suas afiliadas: Sarney, ACM, Collor, Barbalho, J.Hawilla, etc.


REDE GLOBO E SUAS AFILIADAS: SARNEY, ACM, COLLOR, BARBALHO, J.HAWILLA, ETC.

Dia desses um de meus alunos afirmou que Fernando Collor de Mello, ex-presidente do Brasil e atual senador da república, era dono de uma série de veículos de comunicação em Alagoas. Fui atrás de mais informações. E logo constatei que não só esta informação era verdadeira, mas que a rede de comunicações de Collor era afiliada da Rede Globo.

A partir daí entrei em alguns sites de várias afiliadas da Globo espalhadas pelo país. Nesta pesquisa constatei que boa parte de seus donos eram importantes empresários e políticos conservadores brasileiros. Muitos deles envolvidos em casos nebulosos e outros em esquemas de corrupção.

São donos das afiliadas da Globo:

Milton Bezerra Cabral empresário paraibano em diversas áreas (laticínios, tecelagem e comércio) é o dono da TV Cabo Branco, foi prefeito de Campina Grande, Paraíba, integrou alguns partidos conservadores de direita como ARENA (partido de sustentação à ditadura), PDS e PFL (hoje PP e DEM respectivamente);

Fernando Collor de Mello dono da Organização Arnon de Mello (empresa que leva o nome do fundador e pai de Collor) grupo que controla, entre outras coisas, a TV Gazeta de Alagoas e várias rádios localizadas neste estado. Collor iniciou a carreira política ao se eleger prefeito de Maceió, em 1979, nesta época o político era membro da ARENA. Em 1989, a Globo fez uma grande campanha em favor de Collor quando da eleição presidencial daquele ano. Três anos depois a mesma rede de TV apoiou sua deposição. Mesmo assim, Collor e Globo continuam aliados em Alagoas, estado que reelegeu Collor senador em 2014;

No Rio Grande do Sul, a família Sirotsky é dona do Grupo RBS, afiliada da Globo neste estado. Recentemente os Sirotskys venderam a RBS Santa Catarina para um grupo de investidores. O grupo RBS é réu na Operação Zelotes (ligada à Lava Jato), investigação que apontou uma dívida de mais R$672 milhões com o governo federal. Ainda segundo esta investigação, o Grupo RBS é acusado de ter pago 15 milhões de reais em propinas para que parte desta dívida (algo em torno de 150 milhões) desaparecesse. A empresa nega apenas a tentativa de suborno;

Albano Franco ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal de Sergipe. Foi membro da ARENA, PDS e PRN (na época em que o partido elegeu Fernando Collor presidente do país). É dono da TV Sergipe, representante da Globo neste estado;

José Hawilla dono da Traffic, réu confesso de uma série de fraudes nos Estados Unidos onde foi condenado a devolver à justiça americana 151 milhões de dólares. No Brasil possui, entre outras empresas, quatro retransmissoras da Rede Globo no interior de São Paulo. Hawilla também deteve por muitos anos os direitos de transmissão de diversos eventos esportivos (Copa Sulamericana, Libertadores, Copa do Brasil, etc.) hoje a Globo é dona dos direitos destes torneios;

Antônio Carlos Magalhães Filho, filho do ex-senador da república Antônio Carlos Magalhães (também conhecido como ACM, ex-governador e ex-senador por UDN, PFL e DEM da Bahia). Também é pai do atual senador brasileiro ACM Neto (DEM-BA). ACM Filho é o presidente da Rede Bahia, do Jornal da Bahia e de várias rádios locais, assim como da TV Bahia e da TV Sudoeste, todas afiliadas à Rede Globo. Seu polêmico pai esteve envolvido em vários casos de corrupção e fraude que forçaram sua renúncia ao senado em 2001, entretanto, ACM seria reeleito senador nas eleições de 2002;

Edison Queiroz eminente empresário do Ceará e dono do Sistema Verdes Mares de Comunicação (TV Verdes Mares entre outras) é pai de Edison Queiroz Filho político que já fez parte das bancadas de PP e PMDB;

Fernando Sarney, filho do controverso senador e ex-presidente do Brasil José Sarney (PMDB-AP). Fernando é o dono da TV Mirante, afiliada da Rede Globo no Maranhão. É irmão de Roseana Sarney (PMDB-MA) ex-governadora do estado e ex-senadora da república. Roseana é investigada por uma série de crimes fiscais e por remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Seu pai e seu irmão, José Sarney Filho, são investigados na Operação Lava Jato. Seus nomes foram citados por Sérgio Machado em escutas telefônicas onde eram combinados repasses ilegais de campanha aos dois, os valores superam os 2 milhões de reais;

Jader Barbalho (PSDB e PMDB-PA) foi governador e também senador pelo Pará. Jader é sócio da TV Tapajós afiliada da Globo neste estado. Jader teve o mandato de senador cassado em 2001 por quebra de decoro parlamentar. Em 2002 chegou a ser preso pela Polícia Federal acusado de desvio de dinheiro público. Foi acusado de desviar dinheiro da SUDAM, do Banpará e do INCRA. Seu filho Helder Barbalho (PMDB-PA) foi Ministro da Secretaria Nacional dos Portos entre outubro de 2015 e abril de 2016, antes já fora ministro da Pesca e Agricultura;

João Calisto Lobo, falecido em 2013, foi dono da TV Alvorada (hoje Sistema Clube de Comunicação), foi um importante político da UDN, depois da ARENA e, por fim, do PMDB no Piauí;

Agnelo Alves, falecido em 2015, foi senador da república pelo PMDB-RN. Fundou a TV Cabugi (InterTV Cabugi). Hoje, o ministro do turismo do governo Michel Temer, sr. Henrique Eduardo Alves é o dono desta retransmissora da Globo. Alves e outros quatro deputados do PMDB (Eduardo Cunha, Celso Pansera, Aníbal Alves e Edison Lobão) são investigado na Operação Catilinárias (ligada à Lava Jato) por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Alves possui uma conta ilegal na Suíça com saldo de 800 mil francos suíços (2,8 milhões de reais);

Por esta pequena pesquisa podemos constatar que a maior parte dos donos das afiliadas à Rede Globo são (ou foram) filiados à partidos de sustentação ao governo de Michel Temer. Também podemos constatar que estiveram nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor de Mello.

Partidos como PP e PMDB, do qual a maioria esteve ou está filiado, são notórios por terem feito parte de todos os governos que passaram pelo país, inclusive estando na base aliada que deu sustentação ao governo petista (ao menos enquanto interessou, já que também foram favoráveis ao impeachment).

Já partidos extintos como ARENA e UDN são partidos ultraconservadores de direita. Se a ARENA foi o partido de sustentação da ditadura, a UDN foi um partido ligado aos grandes latifundiários brasileiros. A UDN também apoiou o Golpe de Estado ocorrido em 1964. Hoje seus membros estão filiados, em sua grande maioria, ao DEM e ao PP.

Agora ficam as perguntas: o que podemos esperar da Rede Globo? Isenção? Honestidade? Ou a defesa de seus próprios interesses?

J.Mercúrio
Reticente. Mas ainda acredita em justiça.

domingo, 26 de junho de 2016

Hipocrisia Nacional: somos todos hipócritas?



HIPOCRISIA NACIONAL: SOMOS TODOS HIPÓCRITAS?

Há pouco mais de dois meses, milhares de brasileiros saíram às ruas para se manifestar contra a corrupção no país. O alvo principal era a presidente Dilma e a cúpula do Partido dos Trabalhadores.

Quando a presidente foi afastada pelo Congresso, os manifestantes vibraram e comemoraram muito, afinal, segundo eles “a corrupção havia sito expulsa do governo”.

Naquele mesmo momento, Michel Temer (PMDB) assumiu provisoriamente a presidência do país.

E logo o presidente interino tratou de mudar radicalmente a política nacional. Especialmente estancando as políticas sociais. Temer pode até não ter cancelado os programas sociais do governo petista, mas colocou-os em banho-maria. Basta analisar a diminuição dos valores que serão investidos nos projetos "Minha Casa, Minha Vida", "Pronatec", "ProUni", etc.

Entre as medidas conservadoras de Temer também está a extinção do Ministério da Cultura (voltaria atrás com a repercussão negativa de tal atitude) e a diminuição nos investimentos na área da educação, política que justificou como uma "parceria com a iniciativa privada" para com os investimentos em educação e cultura (será que deseja privatizar a educação e a cultura?).

Segundo o professor Alexsandro Santos "há uma pauta nesse programa que indica, pra já, uma espécie de pro-Uni do ensino médio, abrindo parcerias com escolas privadas. Um retrocesso abissal porque entrega para a iniciativa privada a formação básica. Está na pauta também desse eventual governo que começa a se desenhar, que a gratuidade na graduação dependerá avaliação. Outra ameaça: a lógica de que os professores precisam ser melhor controlados para ensinar melhor", disse em debate realizado na PUC de São Paulo.

Já na escolha do ministério ficou bastante claro as intenções conservadoras do governo interino. A cúpula do PMDB (partido eternamente no poder) e PSDB (partido cujo projeto de governo foi rejeitado nas 4 últimas eleições presidenciais) foram os grandes beneficiados com a formação do novo executivo.

Contudo, antes mesmo que o governo provisório completasse um mês, a real face desta administração apareceu. Em escutas telefônicas gravadas antes do processo de impeachment da presidente Dilma.

Nas palavras do presidente do senado, sr. Renan Calheiros (PMDB-AL), “Não negociam porque estão putos com ela (Dilma). Ela me disse e é verdade mesmo, nessa crise toda – estavam dizendo que ela estava abatida, ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável, ela está gripada, muito gripada – aí ela disse: ‘Renan eu recebi aqui o Lewandowiski, querendo conversar um pouco sobre uma saída para o Brasil, sobre as dificuldades, sobre a necessidade de conter o Supremo como guardião da Constituição. O Lewandowiski só veio falar do aumento, isso é uma coisa inacreditável’. Curiosamente o reajuste do judiciário foi aprovado logo que o afastamento da presidente foi confirmado.

Já em outros momentos da conversa, Renan Calheiros afirmou que as delações premiadas terão que ser limitadas, senão não sobrará ninguém livre.

Em outras gravações, desta vez entre Machado e Romero Jucá (PMDB-RR), o senador Jucá afirma “Conversei ontem com alguns ministros do Supremo (STF). Os caras dizem ‘ó só tem condições de (inaudível) sem ela (Dilma). Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então... Estou conversando com generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar”.

Em outras partes do áudio Jucá afirma que a Operação Lava Jato só vai parar com o afastamento da presidente. Por isso, segundo ele, a presidente precisa cair.

Em outra gravação, desta vez com o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), Sérgio Machado afirmou "Agora, se a gente não agir... Outra coisa que é importante para a gente, e eu tenho a informação, é que para o PSDB a água bateu aqui também. Eles sabem que são a próxima bola da vez". E Sarney responde "eles (PSDB) sabem que não vão se safar".  

E aí veio o processo de impeachment...

Todos os envolvidos nestas escutas telefônicas agora fazem parte do governo de Michel Temer...

E depois há quem diga que não foi um golpe...

Por isso, deixo uma questão para reflexão: Onde estão os manifestantes de dois meses atrás que ‘lutavam’ contra a corrupção no país?

J.Mercúrio
Ainda não grampearam seu telefone.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Ocupação de Escolas e o Despertar Político


A OCUPAÇÃO DE ESCOLAS E O DESPERTAR POLÍTICO

Foi quando eu tinha uns 15 anos de idade que participei de minha primeira manifestação pública. O alvo dos protestos era a secretária de educação Neuza Canabarro (PDT-RS). Motivo: o “calendário rotativo”, um projeto de alteração nas datas de início e término do ano letivo. Proposta que deixou alunos e professores muito revoltados.

Naquela época eu cursava o ensino médio. Lembro que eu e meus colegas íamos para as manifestações muito mais preocupados em farrear e nos divertir do que em nos manifestarmos de fato. E não éramos só nós que agíamos assim. A grande maioria dos manifestantes estava lá para namorar, beber e se divertir.

Contudo, mesmo que inicialmente eu não tivesse consciência do que estava fazendo, esta minha primeira experiência, tornou-se o meu despertamento político.

Foi durante aquelas manifestações que pela primeira vez entrei em contato com algum tipo de resistência e engajamento. Foi durante aquele movimento de protestos que me senti, pela primeira vez, parte de algo maior do que eu mesmo, me senti como parte da história que estava acontecendo naqueles dias.

Contribuiu para isso o fato do governador Alceu Colares, que era esposo da secretária da educação, ter engavetado o projeto de mudança no calendário. Isso representou uma grande vitória para mim e meus colegas. Nos sentíamos poderosos e tínhamos mais um motivo para continuarmos farreando.

Pronto, estava feito. Eu me tornara um cidadão. Me tornara um ser pensante e interessado em política. Em consequência, alguns anos depois, eu ingressaria na faculdade de História onde me tornaria historiador e professor.

Aquela foi a primeira de muitas manifestações, passeatas e greves das quais eu participaria.

Hoje, maio de 2016, diversas escolas públicas no Brasil estão ocupadas por estudantes insatisfeitos com as condições da educação no país.

Os motivos são vários, a começar pelas péssimas condições em que algumas escolas se encontram, passando pelos ridículos valores investidos em educação e cultura, até o baixo salário dos professores e profissionais da educação. Para agravar o cenário de insatisfação, o presidente interino Michel Temer extinguiu o Ministério da Cultura.

Apesar da maioria das pessoas concordarem com as ocupações, muitas outras estão contra estas manifestações. Mas até aí tudo bem, porém para minha surpresa, alguns professores também estão se posicionando contra estes jovens. Os argumentos são de que se tratam de arruaceiros, de maus alunos, de que não querem nada com nada e que estão lá para matar aula e farrear.

Acredito que estes professores não estejam entendendo o que está acontecendo.

Pessoalmente, como não poderia ser diferente, eu me posiciono favorável às ocupações. Como professor de história entendo que o que está ocorrendo é uma organização incomum para esta faixa de idade em que a maioria dos protestantes estão. É claro que recebem auxílio e orientação externa (UGES, UNE, etc.), mas mesmo assim é louvável que estejam se organizando de forma tão impactante. Tanto que já chamaram a atenção da mídia internacional.

Entretanto, também entendo que se deve ter muito cuidado com o que está ocorrendo dentro destas escolas. Afinal, a maioria dos jovens envolvidos não possui maturidade para lidar com a liberdade de se auto gerenciarem dentro destes espaços.

Contudo, é inegável que estas ocupações representam um despertar político. Sendo resultado de uma revolta nacional contra a sujeira da qual nosso país está atolado.

Por esse motivo não podemos condenar estes jovens por lutarem por melhores condições de educação e cultura no país. Afinal, se alguém está certo, são eles que estão dispostos a lutar e não aqueles que reclamam, mas que não tiram a bunda do sofá.

J.Mercúrio
Professor, mas sempre aprendendo com seus alunos.

sábado, 7 de maio de 2016

Leicester City e o Campeonato Brasileiro: quantos clubes grandes sobreviverão no Brasil?


LEICESTER CITY E O CAMPEONATO BRASILEIRO: QUANTOS CLUBES GRANDES SOBREVIVERÃO NO BRASIL?

Nesta semana o Leicester City tornou-se campeão inglês de futebol. Um feito memorável que acredito logo-logo os ingleses tornarão filme. O grande feito do pequeno Leicester foi desbancar milionários como Chelsea, Arsenal, Liverpool e os dois Manchester’s (United e City), algo raríssimo de acontecer nas terras da rainha.

No início da temporada, os analistas esportivos ingleses apontavam seus favoritos e o Leicester estava lá... entre os candidatos ao rebaixamento. Sem dúvida um grande feito para este pequeno clube.

Enquanto isso, o campeonato brasileiro de futebol está prestes a iniciar. E, semelhantemente ao que aconteceu na Inglaterra, muitos analistas esportivos já estão fazendo seus prognósticos. Já apontam quem são os favoritos ao título, à libertadores e ao rebaixamento.

Particularmente, eu acho bastante estimulante imaginar quem são os favoritos. Principalmente no Brasileirão, que ao contrário do caso inglês, possui pelo menos dez times com chances de título.

Entretanto, acredito que o futuro deste equilíbrio está comprometido.
Afinal, para questões que envolvam a lucratividade, um torneio onde os prognósticos sejam tão imprevisíveis como o Campeonato Brasileiro, tornam a transmissão de partidas e a divisão dos patrocínios questões delicadas. Por esse motivo, como no caso inglês, quanto menos times tiverem condições de serem campeões, melhor será de administrar e repartir os lucros.

Assim, Rede Globo, CBF e seus parceiros (anunciantes e patrocinadores) já decidiram que apenas cinco ou no máximo seis clubes podem competir pelo título nacional.

Segundo os defensores deste modelo, o Campeonato Brasileiro de Futebol se tornaria mais atrativo para o mercado internacional. Assim, as cotas de TV para mercados como a China e o Japão seriam ampliadas, já que a popularização de poucos clubes nestes mercados facilitaria sua audiência. Ou seja, para ser lucrativo o Brasileirão não poderia ter tantos clubes nivelados.

Contudo, que critérios seriam adotados para a seleção dos tais cinco ou seis clubes que continuariam como os grandes do futebol brasileiro?

Infelizmente esta seleção já começou há algum tempo. E não se trata de uma seleção natural, isto é, definida pela força ou os méritos de um clube (títulos, importância histórica, sócios ou patrimônio).

A seleção “não natural” está sendo realizada de forma arbitrária pelos “donos” do futebol brasileiro, isto é, Rede Globo, CBF e parceiros.

E isso ocorre quando os “donos” do futebol brasileiro definem quem são os clubes que recebem as maiores cotas. Na prática, estão definindo o grupo dos clubes que desejam como os grandes do futebol brasileiro.

Afinal, como um clube que recebe da TV Globo um terço do valor que ganham Corinthians e Flamengo poderá ter chance de título na comparação com esses dois? E a tendência é que esta diferença se amplie nos próximos anos.

Entretanto, não há nada de novo neste modelo, já que foi implantado em outros países, como a Inglaterra, onde o título do Leicester foge completamente da regra. E o Brasil caminha nesta mesma direção.

Será que seu time do coração estará entre os grandes? 

Pense nisso. Afinal, pode existir alguma justiça em algo que Rede Globo e CBF decidam sozinhas?

J.Mercúrio
Ex-colorado, mas ainda um amante do futebol.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O que esperar de um possível Governo Temer: o governo de Ivo Sartori (PMDB-RS)


O que esperar de um possível governo Temer: o governo de Ivo Sartori (PMDB-RS)

Estamos na iminência de um Golpe de Estado que colocará fim no governo Dilma Rousseff. Infelizmente acredito que este quadro não seja reversível. E, para piorar, o Brasil ficará nas mãos de um novo governo do PMDB.

Mas, que tipo de governo poderemos esperar de Michael Temer?

 Como parâmetro posso apontar as iniciativas de Ivo Sartori (PMDB), governador do Rio Grande do Sul, para sair da crise econômica que o estado gaúcho está enfrentando. Dentre suas meditas estão: arroxo salarial do funcionalismo público e parcelamento de salários; inexistência de investimento em educação, segurança e saúde; e aumento de impostos.

Quanto à educação. As escolas não estão recebendo verbas básicas para merenda, limpeza e manutenção. Até abril os colégios haviam recebido apenas a parcela de janeiro, e isso só aconteceu no início deste mês.

Quanto à segurança. Desde que Sartori assumiu o governo do estado, o roubo de veículos aumentou 32%. Os assaltos aumentaram em 26,3% no mesmo período. Já os homicídios cresceram 3,5%. Para piorar, há falta de investimentos em armamentos e veículos, tornando a polícia gaúcha vulnerável aos criminosos. Soma-se a tudo isso o parcelamento dos salários dos policiais e agentes de segurança, que sequer recebem em dia.

Quanto à folha salarial. O problema não está somente nos parcelamentos dos salários. Para agravar a situação, o décimo terceiro de 2015 será pago, de forma parcelada, a partir de agosto de 2016. Sem que exista garantia de que realmente será pago.

Para completar, o governador aprovou na Assembleia gaúcha o aumento dos impostos. Medida que encareceu a sexta básica e tornou a gasolina gaúcha a mais cara do país.

Mesmo assim o governador aprovou o aumento de salário dos deputados estaduais e secretários de estado. E, claro, o seu próprio (pela segunda vez em 16 meses). Enquanto isso, respondeu aos professores que deveriam buscar o “piso” (salarial) numa loja de materiais de construção, depois, deu uma grande gargalhada.

Se compararmos o governo Sartori (PMDB) com o governo do petista Tarso Genro (2011-15), posso afirmar que em absolutamente tudo o governo atual é pior do que o anterior. 


E isso é só uma "palhinha" do que poderá ser o governo de Michel Temer como presidente do país.

Também não podemos esquecer que o PMDB já teve dois presidentes da república, José Sarney e Itamar Franco, coincidentemente (será?) nenhum dos dois foi eleito para o cargo, já que eram vice-presidentes de Tancredo Neves e Fernando Collor. Agora estamos na iminência de mais uma vez estarmos nas mãos desta corja.
J. Mercúrio
Preocupado, mas com esperança.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Jornal O Globo: "Apoio ao Golpe de 64 foi um erro". Será?


Jornal O Globo: “Apoio ao Golpe de 64 foi um erro”. Será?

Como qualquer bom pesquisador tenho o hábito de visitar sites de arquivos de museus, jornais e revistas. Dia desses, numa das tantas visitas ao arquivo do jornal O Globo, deparei-me com uma reportagem, datada de 31 de agosto de 2013, cujo título era “Apoio ao Golpe de 64 foi um erro”.

Segundo a reportagem, o artigo estava sendo escrito em resposta às manifestações (Junho de 2013), onde a própria matéria afirma “De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura” e completa “quando o Memória (site do arquivo do jornal) estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto”.

Mas será que isso é verdade?

Vamos a alguns fatos. Pouco mais de um ano após o golpe que derrubou o presidente João Goulart, Roberto Marinho, dono do jornal O Globo, recebeu do governo ditatorial uma preciosa recompensa pelo apoio: uma concessão de canal de televisão. Mas não somente isso, Marinho e companhia também tiveram financiamento facilitado para fundarem seu império de telecomunicações.

Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, a sucursal gaúcha do jornal Última Hora (periódico de oposição ao Golpe) foi fechado. O maquinário e o parque gráfico do jornal formam entregues à empresários que apoiavam o regime. Pronto, estava fundado o jornal Zero Hora. Periódico que apoiou a ditadura durante anos.

A partir destes fatos podemos afirmar, sem medo de errar, que o Grupo Globo e o jornal Zero Hora devem as suas próprias existências ao regime golpista.

Mas será que havia alguma contrapartida nisso tudo? Lógico que sim.

Outra coisa, se o jornal O Globo assumiu ter errado ao apoiar o golpe, como explicar todos os benefícios que receberam deste mesmo regime? E mais, como explicar que continuou apoiando a ditadura anos depois? E o mesmo pode ser questionado sobre o Grupo RBS (donos do jornal Zero Hora).

Se “erraram” lá atrás, o que garante que hoje estão certos ao apoiarem outro Golpe de Estado?

Por tudo isso devemos nos perguntar que interesses o Grupo Globo tem no Brasil? Será que são os mesmos das classes trabalhadoras?

J. Mercúrio, 27/04/2016

 Capa de O Globo de 01 de abril de 1964.